FREITAS, L.C.C. Dinâmica da secreção de paratormônio após
paratireoidectomia total e autotransplante 130f. Tese (Doutorado em
Ciências Médicas) – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade
de São Paulo, Ribeirão Preto, 2007.
 
O hiperparatireoidismo secundário é uma complicação freqüente em
pacientes urêmicos. A paratireoidectomia total associada ao autotransplante
parcial tem conquistado a preferência dentre as possibilidades de terapêutica
cirúrgica. Entretanto, embora se tenha comprovado a capacidade de secreção
de paratormônio (PTH) pelo tecido paratireóideo autotransplantado, não foi
realizada avaliação da dinâmica de secreção de PTH em situações de estímulo
(hipocalcemia) e supressão (hipercalcemia). Os testes dinâmicos possibilitam a
detecção de alterações da secreção do PTH, dificilmente identificadas apenas
pela análise dos níveis basais. Assim, o estudo teve o objetivo de avaliar a
reserva secretora e a supressibilidade do tecido paratireóideo
autotransplantado em músculo braquiorradial através de testes dinâmicos. 
Foram estudados 12 indivíduos submetidos à paratireoidectomia total
com autotransplante e 14 indivíduos saudáveis que compuseram o grupo
controle. Os testes foram realizados em dois tempos no período pós-operatório.
O primeiro teste foi realizado 165 (DP=16) dias após a cirurgia, que
denominamos de “pós-operatório recente” (POR) e o segundo após 345
(DP=38) dias, que denominamos de “pós-operatório tardio” (POT). Para análise
da capacidade de reserva secretora foi utilizado o teste de hipocalcemia
induzida pelo ácido etilenodiaminotetracético (EDTA) e para análise da
supressão da secreção glandular foram empregados os testes de hipercalcemia induzida pela administração de cálcio por via oral, e,
posteriormente, pela infusão endovenosa de gluconato de cálcio.
A análise da correlação linear nos testes dinâmicos dos indivíduos
saudáveis no POR e POT demonstrou que a variação dos níveis séricos de
cálcio iônico e PTH foram inversamente proporcionais, entretanto, o mesmo
não foi comprovado nos pacientes avaliados através dos testes de estímulo e
supressão, em ambos os tempos. A redução dos níveis séricos de cálcio
durante o teste com EDTA foi comparável àquela observada nos indivíduos
controle. Da mesma maneira, a elevação dos níveis séricos de cálcio iônico
durante o teste de supressão com cálcio endovenoso foi semelhante à
observada nos indivíduos controle. No entanto, a variação do cálcio no teste
realizado por via oral não foi suficiente para promover a supressão ao tecido
paratireóideo. Quanto à secreção de PTH, não se observou, no teste de
supressão com cálcio endovenoso, queda significativa do PTH médio, na
análise do índice de inclinação da curva, diferentemente ao notado no grupo
controle. Também, não foi observada alteração nos níveis séricos de PTH,
durante os testes de estímulo no POR, no entanto, no POT, houve uma
elevação no índice de inclinação da curva, porém em níveis significativamente
inferiores aos observados nos indivíduos controle.
Assim, conclui-se que pacientes submetidos à paratireoidectomia total
com autotransplante parcial apresentam anormalidade na função secretora do
implante durante o primeiro ano após a cirurgia, pois se observa perda da
correlação negativa entre as variações de cálcio iônico e PTH. Além disso, observou-se incapacidade de supressão glandular no POT e perda da resposta
secretora ao estímulo no POR, com recuperação parcial no POT. 
 
Palavras-chave: Hiperparatireoidismo, Insuficiência renal crônica, Osteíte
fibrosa cística.
 

 


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