Leia nossas recomendações abaixo:

TIREOIDECTOMIAS E PARATIREOIDECTOMIAS ENDOSCÓPICAS E VÍDEO-ASSISTIDAS


I Seminário: Aspectos Técnicos e éticos da Incorporação de Novas Tecnologias em Cirurgia de Cabeça e Pescoço:

Moderador: Prof. Alberto R. Ferraz
Relator do Tema: Dr.Fernando L. Dias

Assunto: Tireoidectomias e Paratireoidectomias Endoscópicas e Vídeo-Assistidas

Bases Técnicas do Método: Nessa exposição o Dr. André Carvalho apresentou os critérios de seleção para a utilização da técnica (conforme a literatura) assim como as características e particularidades dos métodos vídeo-endoscópico e vídeo-assistido. Enfatizou os benefícios do uso de óticas com magnificação de imagem o que facilitaria a identificação de estruturas nervosas nas cirurgias de Tireóide e Paratireóides.

Literatura existente: Vantagens e Desvantagens: O Dr. Rogério Deidivitis ressaltou os aspectos positivos publicados na literatura a respeito da diminuição das queixas álgicas no pós-operatório imediato devido a não utilização de hiperextensão cervical (e uso do coxim) e pela ausência de dissecção de retalho de pele e platisma. Ressaltou, da mesma forma, o papel do método como facilitador na identificação das Estruturas nervosas envolvidas.

A experiência em nosso meio ficou a cargo do Dr. Cláudio Cavalcanti que se limitou a apresentar sua experiência com a técnica de tireoidectomia por mini incisão.

A analise de custos associada, apresentada pelo Dr. Afio Tincani comprovou a elevação dos gastos associados ao procedimento vídeo-assistido, superior a 30% em comparação com o procedimento convencional. Chamou a atenção para o fato de que a ANVISA publicou resolução onde fica vedada a reutilização de material cirúrgico descartável, importante fator limitante para o reaproveitamento do Bisturi Harmônico.

A discussão, que teve a participação dos Drs. Francisco Chagas, Flavio Hojaij e Samir Arap, juntamente com os participantes da mesa, convergiu para a necessidade de realização de estudos cientificamente controlados comparando os dois métodos (vide-assistido e convencional) para avaliação adequada do método em questão.

Relatório: Ao final da exposição acerca do tema em questão, foram devolvidos 22 questionários (sendo 7 sem identificação) com informações que estão especificadas a seguir:

  1. Quais circunstâncias esta tecnologia deve ser recomendada?

Indicada nos casos selecionados, conforme especificada pelos autores em 12 (54,5%) das respostas
Avaliação final após realização de estudo prospectivo randomizado comparando os 2 métodos (convencional x vídeo) em 5 (22,7%) das respostas.
Outras respostas incluíram => Sem critérios (2), Opção do paciente (2), Sem indicação (1).

  1. Quando essa tecnologia NÃO deve ser recomendada?

Contra-indicada conforme especificada na literatura em 14 (63,6%) das respostas.
Sem especificação em 4 (18,2%) das respostas.
Outras respostas incluíram => Na falta de preparo técnico (2), aguarda resultado de estudos prospectivos (1), e Não deve ser recomendada em 1 resposta.

  1. Os autores o ajudaram a formar opinião?

Sim, em 17 (77,3%) das respostas.
Não, em 4 (18,2%) das respostas.
Indiferente, em 1 resposta.

  1. Comentários aos expositores e ao moderador.

Sem comentários em 10 (45,5%) das respostas.
Parabenizando a ambos em 5 (22,7%), considerando insuficientes para qualquer conclusão em 3 respostas, recomendando rever custos em 3 respostas e reavaliar técnica em 1 resposta.

  1. Algum comentário à diretoria da SBCCP?

Sem comentários em 10 (45,5%) das respostas.
Não há evidências suficientes no momento para a recomendação dessa técnica em 6 (27,3%) das respostas. 
Outros comentários incluíram a sugestão de contato com empreses  fornecedoras de material para diminuição de custos em 2, respostas, não recomendar em 2 respostas, em elogios a SBCCP pela iniciativa em 1 resposta, e envio de carta de esclarecimento aos membros da SBCCP em 1 resposta.   

Comentários e Considerações Finais:

As opiniões convergiram para a identificação do método vídeo-assistido como de escolha para adoção, em comparação com o método puramente vídeo endoscópico. Ao contrario do método vide-endoscópico, a cirurgia vídeo-assistida dispensa treinamento prévio formal em cirurgia vídeo laparoscópica, podendo ser reproduzida por especialistas em cirurgia de cabeça e pescoço com resultados semelhantes aos descritos na literatura.

Os elevados custos associados ao método vídeo-assistido, pertinentes ao uso de material de vídeo (ótica, vídeo-camera, monitor), material cirúrgico especifico (afastadores e descoladores) e, principalmente, do Bisturi Harmônico constituem importante obstáculo na utilização do método em larga escala.

Os resultados obtidos por cirurgiões Brasileiros parecem concordar com os dados publicados na literatura (principalmente pelo autor do método) no que diz respeito aos benefícios estéticos e de menor desconforto no pós-operatório desses pacientes.

Conclusão:

A recomendação dessa técnica cirúrgica, assim como seus potenciais benefícios, somente poderão ser efetivados pela S.B.C.C.P. após realização de estudo prospectivo e randomizado comparando-a com o método convencional. Aspectos como: 1- custo final do procedimento (incluindo tempo de realização do procedimento); 2- complicações associadas; 3- desconforto no pós-operatório imediato; 4- tempo de internação hospitalar; 5- aspecto estético final da cicatriz, deverão estar incluídos entre os quesitos do estudo.

Fernando L. Dias
Chefe da Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Instituto Nacional de Câncer – R.J.
Professor Coordenador
Curso de Pós Graduação em Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Escola Médica de Pós Graduação
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro


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