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USO DO GRAMPEADOR LINEAR PARA FECHAMENTO DA FARINGE PÓS LARINGECTOMIA TOTAL


Uso do Grampeador  linear para fechamento da faringe pós laringectomia total.

Relator: Onivaldo Cervantes

            O fechamento da faringe após a realização de laringectomias é uma das preocupações dos cirurgiões, para evitar principalmente fístulas e infecções, pois além de colocar o paciente em risco de morte, aumenta o tempo de internação hospitalar.
            Várias técnicas já foram propostas, assim como vários tipos de fios de sutura e formas de suturas. Atualmente, a maioria dos cirurgiões utiliza fios absorvíveis, variando entre a sutura contínua e pontos separados, invaginando a mucosa faríngea.
            Dentre os procedimentos nos quais podemos utilizar modernas tecnologias em cirurgia de cabeça e pescoço, dispomos do grampeador linear para fechamento da faringe após a realização de uma laringectomia total.
            O uso do grampeador não é tão novo em cirurgia, haja vista que desde o século passado, nos idos de 1969, já se utilizou o grampeador linear para fechamento mucoso após a realização da retirada de divertículo de Zencker (faringoesofágico). Logo depois também foi utilizado para fechamento de defeito laríngeo, mas passou a ser utilizado com maior freqüência a partir da década de 90, onde as primeiras séries de pacientes foram publicadas, sendo que nos últimos dois anos encontramos também os primeiros trabalhos nacionais com séries ainda pequenas.
            O grampeador linear de 75 mm no fechamento da faringe está indicado em tumores endolaríngeos, quer seja em cirurgia primária ou ainda em cirurgia de resgate pós protocolo de preservação de órgão, com tumores endolaríngeos.
            Para utilização desta técnica é fundamental a realização de laringoscopia direta, ou no dia da cirurgia, com utilização de ópticas, ou na sala de cirurgia através de laringoscopia de suspensão para termos certeza que o tumor esteja endolaríngeo.
            Entre as vantagens desta técnica podemos destacar que por evitar a abertura da faringe não há saliva no campo operatório, levando a uma diminuição do índice de infecção (3%), de fístula (de 30% para cerca de 5%), de estenose faríngea. Proporciona também a alimentação via oral mais precoce e diminui substancialmente o tempo cirúrgico, pois a faringe é fechada rapidamente. Destaca-se também  um tempo rápido de  aprendizagem.
            Dentre as desvantagens desta técnica fala-se dos custos, porém, não existe custo de aprendizado e o grampeador que custa cerca de R$ 1.000,00, pode ser re-esterilizado(*) em óxido de etileno e utilizado por cerca de 20 vezes, levando seu custo a cerca de R$ 50,00. Devemos considerar que cada carga do gampreador custa cerca de R$ 250,00. Caso seu uso seja único, o custo fica ao redor de R$ 1.250,00 a 1.500,00.
            Podemos, portanto, considerar um procedimento de fácil execução sem a necessidade de treinamento específico,  que parece prevenir o aparecimento de fístulas, inclusive em pacientes irradiados, que diminui o tempo de internação e de realimentação via oral dos pacientes, economiza significantemente o tempo operatório e impede a queda de saliva no campo operatório, proporcionando diminuição do risco infeccioso.
Finalmente, podemos considerar que o uso de grampeador linear para realização de laringectomias totais, para tumores endolaríngeos apresenta um custo x benefício considerável, já que diminui o tempo de internação, o tempo de cirurgia, as taxas de complicações e o tempo de realimentação via oral, sendo que o custo para implantação e de execução do procedimento se apresentam adequados em relação às vantagens que o método proporciona.

(*) Segundo portaria da ANVISA está proibido a re-esterilização de aparelhos de laparoscopia.


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